sábado, 13 de dezembro de 2014

Ana Domingos é licenciada em matemática e está desde 2013 no laboratório de Obesidade do Instituto Gulbenkian de Ciência. A investigadora torna-se agora uma das cientistas europeias a ser reconhecida com o Prémio de Instalação, atribuído pela Organização Europeia de Biologia Molecular  em conjunto com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), com um valor de 50 mil euros anuais por um período máximo de cinco anos.

No âmbito desta bolsa, a cientista propõem-se a fazer avanços na área do combate à epidemia da obesidade ao compreender melhor o processo que está associado à sensação de recompensa quando consumimos açúcar.

Ana Domingos, investigadora do IGC
Ana Domingos, investigadora do IGC
© Roberto Keller, IGC
Ana Domingos explica, citado em comunicado conjunto do IGC e do IMM, que a razão «porque gostamos de açúcar e porque gostamos ainda mais de açúcar quando estamos a fazer uma dieta, são duas questões importantes que estão relacionadas».

Para encontrar respostas para estas questões, o grupo de investigação de Ana Domingos já fez alguns avanços consideráveis, nomeadamente, que a região do cérebro que ajuda a controlar o apetite – o hipotálamo lateral – também está associada com o sistema de recompensa do consumo de açúcar.

Agora, os investigadores pretendem estudar a atividade dos neurónios MCH que se encontram nesta região do cérebro para determinarem quais os circuitos neuronais envolvidos no processo.

A cientista explica que «na perspetiva biológica do organismo faz todo o sentido encontrarmos os alimentos que nos satisfaçam em vez de olharmos para o seu valor calórico», pelo que «numa situação de restrição alimentar, se gostamos ainda mais de açúcar, então existe uma maior probabilidade de o consumirmos, o que pode comprometer a dieta e, em última análise, ter grandes implicações na epidemia da obesidade».

O outro cientista português premiado pela EMBO é Nuno Morais. Licenciado em Engenharia Física e Tecnológica, o cientista está no Instituto de Medicina Molecular, da Faculdade de Medicina, da Universidade de Lisboa, como investigador independente desde 2013.

Nuno Morais, investigador do IMM
Nuno Morais, investigador do IMM
© IMM
No projeto agora distinguido, o investigador propõe avançar no conhecimento sobre o processo de formação de metástases no cancro. Para isso, Nuno Morais vai estudar o processo através do qual um gene pode originar várias mensagens e desta forma proteínas distintas (splicing alternativo) e de que forma este processo pode estar associado à formação de metástases.

O cientista vai utilizar tecnologias de sequenciação de ADN que permitem ler essas mensagens genéticas para todos os genes. «Propomos usar abordagens de biologia computacional para, analisando essa informação, perceber como é que a expressão dos genes está desregulada em cancro e identificar novos marcadores moleculares que permitam, por exemplo, prever qual o potencial de um tumor gerar metástases e o órgão em que é mais provável que elas apareçam».

Caso venha a obter resultados positivos, o cientista poderá desta forma contribuir para o desenvolvimento de métodos de diagnóstico do cancro mais precisos, assim como, de terapias moleculares personalizadas.

A EMBO atribui em 2014 oito Prémios de Instalação em quatro países europeus, nomeadamente, dois prémios em Portugal, um na Polónia, três na República Checa e dois na Turquia.

Os prémios não só visam ajudar os cientistas a estabelecerem os seus próprios grupos de investigação como lhes permite entrar na rede de Jovens Investigadores EMBO para facilitar a sua integração na comunidade científica europeia.

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